Otávio Weblog

Minhas memórias, antes que eu as esqueça

Programação orientada à gambiarras

Tarefas simples, nem sempre são tão simples. Mesmo com uma ampla experiência em Java (sem nada de modéstia, óbvio), algumas vezes me deparo com umas situações quase complexas.

Essa semana estava terminando o desenvolvimento de um projeto de um cliente, e me deparei com umas situações pra lá de complexas. É aquela idéia básica de manter compatibilidade completa com os códigos porcos de outros programadores, já que essa plataforma deve permitir integração com sistemas legados via conectores, além de permitir integração com todos os bancos e operadoras de cartões. Quem já trabalhou com cartões e transações bancárias sabe bem que não existe nenhum padrão nisso. Mas aí entra o Java: uma interface aqui, mais umas três classes abstratas, um service locator... e quase tudo se resolve como um passe de mágica.

Porém a demanda de tempo (e paciência) é realmente a quantidade de regrinhas chatas, muito chatas. Quando o cliente escolhe um produto pro carrinho de compras, preciso já deixar bloqueado aqueles produtos para que outro malandrinho não compre, além disso preciso controlar o preço para fazer com que o cliente pague o preço do produto original, caso o dono da loja altere o preço enquanto o cliente está efetuando a compra (imagine tu achar um produto por R$ 100, e quando for pagar, ele está R$ 130?), controlar a autenticação do usuário, aguardar a validação da conta do mesmo (e-mail, CPF ou CNPJ), validar a consistência dos itens, valores, juros conforme o método de pagamento e número de parcelas, verificar se o sistema dos bancos está online, monitorar o estado do pedido quanto ao empacotamento, entrega, envio do pagamento pelo banco...

Mas como dizia um velho colega, é para isso que no quinto dia de mundo, Deus inventou o café :)

E vejamos como ficará. Como vocês, meus queridos 3 leitores, já sabem que eu sou pouco (ou quase nada) modesto, a coisinha tá ficando bem linda, com as gambiarras bem organizadas, códigos porcos assinados com um "TODO: melhorar essa por**" e tudo mais que os bons Desenhos de projetos malucos prevê.

Zé: mais que um mito, uma lenda.

Há alguns (muitos) anos atrás fui convidado para trabalhar em uma empresa de TI. Sempre ouvi falar muito do chefe, um tal de Zé, cara gente fina, conforme todos. Em um dia qualquer eu estava distraído bebendo meu rotineiro café matinal quando ouço aquela voz grave rachando as paredes: "Bicho, temos que ligar pro Uelbe testar o link". Na mesma hora fiquei frio e disse: taí o cara, o poderoso chefão. Ele chegou perto, me deu as boas vindas na empresa e essas coisas de chefe. O tempo foi passando e aquele clima formal foi dando espaço para um clima mais amigo e informal. E a cafeteira era o ponto de encontro para ouvir as "histórias do Zé".

Café esse que tinha ingredientes um tanto incomuns já que o prédio era antigo e os canos de água soltavam ferrugem, mas tudo ajudava para dar um aroma inigualável a bebida. E nada era igual ao café do Zé, ainda mais quando eu virava madrugadas a fio programando.

Creio que o Zé trabalhava com internet desde quanto eu nem sequer sabia falar. Eu me lembro que certa vez ví ele correndo para um lado para outro com um trequinho quadrado cheio de luzes vermelhas piscantes que deixariam qualquer um maluco. Curioso, acompanhei ele que estava aos berros no telefone conversando com um técnico da extinta CRT, quando chegamos em uma porta, ele sinalizou para eu abrir e aí foi a surpresa: "Zé, mas isso aqui é um banheiro cheio de modens?" Ahh sim, acreditem: o Zé tinha um provedor dentro de um banheiro. A situação era engraçada, pois era necessário reinicializar os modens de vez enquando... então sempre rolava a piadinha: vou lá dar uma cagada!!! O Zé não apenas foi autor do primeiro provedor de internet do sul do país, mas foi o primeiro a usar um banheiro para este fim. E não é que o provedor fez sucesso? Nosso eterno chefe Zé sempre foi o pioneiro, eu diria que ele era o cmte Rolim da internet. Pioneirismo e visão que fizeram história no sul do país. Atire a primeira pedra quem não assinava o provedor do Zé. Naquele tempo haviam dois tipos de pessoas: as que assinavam o zénet, e os que não sabiam o que era um computador.

Com o tempo o provedor foi crescendo, a internet evoluindo... novas tecnologias surgindo, e o Zé finalmente teve outra visão: vamos usar internet sem fio. Foi engraçado uma noite inteina correndo para um lado e outro com umas varetas, cones e "ping" pra lá, "ping" pra cá... cartão pro outro lado... E lá no meio da noite depois de uma overdose de café, eu ouço aquela voz grossa: "bicho, tá pingando". E mais uma vez o Zé fez história: o primeiro provedor de internet sem fio. Hoje em dia tem essas coisas por todos os lados, agora mesmo eu estou usando uma. Mas... em 1999 os "usuários" nem sequer sabiam sobre tal, e nem sequer tinha equipamentos no Brasil para tal.

Depois de um tempo, o negócio cresceu, e o Zé achou que era a hora de partir, seguir novos rumos. Ele vendeu a empresa, mas deixou saudades e muitas e muitas lembranças cômicas de um momento em que trabalhar com informática era divertido e dava prazer.

Inclusão digital

Agora a tarde eu estava lendo meus feeds e me deparo com um comentário desses em um fórum qualquer:

E depois tem gente que acha que a inclusão digital é positiva ;)

Convite ao fisl 9.0

Esse ano fui convidado pelo Vitor Pamplona para participar do fisl 9.0, que esse ano acontece na PUC-RS em Porto Alegre. O fisl é o maior evento de Software livre, onde uma galera de peso se reúne para palestras, troca de idéias e tudo que envolve assunto nerd, além de papo sobre coisas de seres humanos do sexo masculino (vide mulheres e cerveja, hahahaha).

Ano passado participei do fisl 8.0 lá na FIERGS em Porto Alegre juntamente os os amigos Dilnei e Diego. Foi bom, e conheci uma galera que há tempos conheço apenas no virtual, além de participar de um extenso e prazeroso coofee-code com nosso amigo Phil, da Sun.

E aproveitando o gancho do Vítor, convido novamente o Diego, Dilnei, Bruno e Thiarlles para respirar três dias de tecnologia, papo nerde e muito café =).

Análise de 2007

Esse ano tinha tudo para ser um ano daqueles bem meia boca... mas como meu guia espiritual sempre fala, nossa vida é cercada de pequenos ciclos, e esse ano foi o ciclo de vencer novos desafios, conquistar novos espaços e também reconquistar os espaços perdidos e o mais principal: foi o ano da reciclagem de idéias, de pensamentos e de renovação.

O ano começou complicado, aquele caos todo de eu estar nervoso em estar trabalhando em uma empresa que eu sempre fui apaixonado mas que não não me dava mais prazer, além das expectativas de um grande projeto pessoal, e aquela confusão toda que foi meu final de ano. E se não fosse pelas voltas que, como eu sempre digo, que o mundo dá o ano poderia ter sido entediante. Muitas voltas aliás.

Logo após o carnaval finalmente consegui tocar um projeto pessoal que há tempos eu planejava, projeto esse que foi o mais importante de minha vida profissional.

Fiz também algo que eu adoro: viajar. Além, é claro, de trabalhar onde eu bem entender: na praia, em casa, no meio do mato... e quando eu quiser: na madrugada. Eu não falei que era divertido?

No ponto pessoal, depois dos conflitos enormes que eu tive novamente pude rever meus amigos, e parece que o mundo resolveu conspirar a favor: tudo foi feito a fim de reunir os amigos, amnésias foram criadas para esquecer os problemas e conflitos do passado... pequenos incidentes fazem com que reconheçamos amigos, amigos esses que podem te ajudar muito, e vice-versa. O mundo gira em torno de pequenas trocas, não é o que eu sempre falo? Nesse ano eu conheci muita gente, revivi excelentes momentos perto de pessoas que eu não via a anos. Houve bem aquele tempo de ser ajudado, e de ajudar, tão qual meu guia espiritual previu. Aliás, falando nisso, foi também um tempo de explorar novamente minha espiritualidade, que estava há tempos abandonada. Dessa vez eu pude explorar muito esse meu lado sensorial e entender que eu estava rodeado de pessoas pobres de espírito. Pessoas que acham que bens materiais e dinheiro medem a importância de uma pessoa. Ainda bem que deu tempo de reverter tudo isso =).

No ponto paixão, pude redescobrir uma antiga paixão: aviões. Eu sempre amei aviação, algo como parte do meu pedigree, do meu sangue. Minha madrinha diz que assim como para qualquer pessoa é simples entrar em um ônibus, para o Otávio é entrar em um avião. Esse ano o aeroporto Salgado Filho virou minha segunda casa, ponte para vôos para GIG, GRU, CWB, FOR e FLN. Presenciei filas de apagão, cliente apanhando de atendente da GLO, golzete tentando falar coreano com um cliente, a morte da grande estrela (Varig), a PT-SSK de roupa nova, voar pela primeira vez de Webjet, fiquei triste com o acidente do JJ3054, ví que ainda existe o GLO1836, me lamentei por não conseguir ir a GRU ver a visita do A380 pessoalmente. E além de tudo quase morri berrando ao ver dois aviões decolando: PP-VOY decolando para São Paulo dia 20/05 e a PT-SSK decolando para Rio de Janeiro, declarando assim que eu teria que, a qualquer custo, tirar logo o brevê. Alimentei muito a minha febre por aviões no simulador de vôo. Hoje com 830 horas de voos no simulador, já destruí muitas aeronaves, quebrei trens de pouso, treinei bastante, logo aprendi e fiz touchdowns perfeitos, digno de vídeos no youtube.

Mas como nem tudo é perfeito, tive também o gostinho de sentir cada uma das decisões erradas do passado, e em algumas delas pensar que realmente não há como corrigir, afinal, ha certas marcas que plástica nenhuma pode corrigir, embora a segunda maior delas é ter voltado embora de Curitiba, e a primeira é ter ido embora de São Paulo no ano novo de 2004-2005. A decisão de embarcar naquele taxi custou muito caro, de verdade. E um destaque que eu dou a 2007 foi exatamente de poder revivier de uma forma ou de outra todos os resultados das minhas escolhas, servindo de exemplo pro futuro.

Enlouqueci muita gente, fiz pessoas ter a vontade de esmagar meu pescoço, mas isso é resultado óbvio da conviência comigo: não há meio termo comigo, ou ama ou odeia, ou está muito bom ou uma m****, assim como números binários: apenas 0 ou 1.

E na finaleira, o mês de dezembro parece ter reservado o mais intenso do ano, por isso deixei para escrever o post nos últimos minutos possíveis. Meu aniversário simplesmente foi magnífico, ganhei parabéns de todos na empresa, meus parentes todos ligaram, e ganhei os parabéns até da atendente de check-in da Gol. E no final realizei três sonhos: viajar no Flagship da Gol (PR-GTA) e visitei a cabine do Lima November com direito a 5 minutos no banco de pele de carneiro.

E claro, se a coisa se repetir, 2008 promete!!!

Sobre ETs

Conversa de bar, depois da septagésima cerveja, até o garçon já estava bêbado só pelo bafo do pessoal:

- Você acredita em ETs?
- Não, eles são muito mentirosos!

Despedida

Eu já havia feito uma organização aqui em casa outro dia. E agora como estou de mudança para um apartamento maior, pensei então em novamente apelar para a idéia de renovação. É bom de vez em quando abrir o armário e colocar tudo de pernas pro ar... reler todas as anotações guardadas, olhar fotos que estavam esquecidas, presentes que ficaram quietos em um canto, e coisas que há tempos estavam quase que esquecidos. Tive ainda a oportunidade de encontrar preciosidades como meu primeiro boarding pass (logo faço um post sobre ele) do JJ3062, o primeiro livro em inglês que eu li por inteiro, uma pequena wishlist em papel azul e até mesmo uma pequena lata metálica onde há uma série de pequenos souvenirs. É bom olhar de vez em quando para trás e lembrar coisas que passamos, lugares que vivemos/visitamos, pessoas que conhecemos e presentes que ganhamos.

Achei interessante a idéia de se livrar de pequenas coisas que estão apenas ocupando espaço, coisas que não nos interessam mais, coisas que nos lembram talvez algum momento passado ruim, eteceteras e mais eteceteras. Algumas coisas separei para a queima como documentos e coisas que possam trazer más recordações. Outras como roupas que não servem mais e/ou roupas/presentes que eu não desejo mais ter serviram para doações. O bom foi transformar coisas ruins em boas ações, a melhor parte de tudo. Outros documentos de pouca ou nenhuma sigilosidade foram para a caixa de reciclagem do prédio. Já servem pelo menos para ajudar a preservar algumas árvores =).

Mudanças fazem parte da vida, e mesmo havendo evolução, há um clima de saudade e nostalgia. Muitas vezes mudei de empresas, de casa... e nessas mudanças sempre há esse inevitável clima de saudades.

Enfim, vou voltar para minhas arrumações, ainda tenho pelo menos umas 4 prateleiras para revisar, planejar o que vou levar, o que fica, o que eu coloco pra doação, e o que eu enviar pra reciclagem =)

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